Entre rios, florestas, açaizais e castanhais, a juventude amazônida tem mostrado que o enfrentamento às mudanças climáticas pode nascer da escola, sobretudo quando esta se encontra profundamente conectada aos territórios em que vive.

Dessa forma, o projeto Educação para Resiliência às Mudanças Climáticas em Escolas Rurais na Amazônia Brasileira conecta estudantes de comunidades amazônicas à reflexão crítica e à ação transformadora frente à crise climática, mostrando que a educação ambiental, aliada à educomunicação, se torna um instrumento poderoso de mobilização, participação e construção coletiva de soluções.

Para alunos como a Angelina, com 17 anos de idade e aluna da Escola Família Agroextrativista do Maracá (EFAEXMA), oficinas de comunicação proporcionam a oportunidade única de expressão. A jovem contou a sua experiência sobre a oficina realizada com alunos do ensino médio da escola: “A gente precisa falar por nós, porque somos nós que estamos vivendo isso aqui. Foi muito importante falar sobre problemas que afetam diretamente nossa comunidade, como a seca e o aumento da temperatura, frutos do desmatamento. Ter essa visibilidade é fundamental para conscientizar a sociedade e mostrar às autoridades que precisamos de políticas públicas que garantam qualidade de vida”. Para Angelina, o aprendizado vai além da técnica: “Na escola, pretendo usar o que aprendi junto com outros estudantes para formar jovens engajados na sociedade. Fora dela, quero levar esse conhecimento para nossa comunidade, mostrando à população local os impactos das mudanças climáticas e incentivando ações concretas”.

Ana Caroline, outra aluna da EFAEXMA, de 16 anos, destacou o impacto da oficina na forma como passou a enxergar a comunicação: “Entendi que os jovens podem usar as redes sociais como ferramenta educativa e produtiva, não apenas para diversão. É um espaço para alertar adultos e outras comunidades sobre os impactos do aquecimento global. Poder expressar minha preocupação com o futuro da nossa região foi muito gratificante e fez eu me sentir parte da solução”.

As oficinas permitiram que os alunos transformassem relatos de suas vivências em produções audiovisuais concretas. Temas como desmatamento, seca, erosão e queimadas foram escolhidos pelos próprios estudantes, refletindo os desafios que enfrentam diariamente. Divididos em grupos, eles construíram roteiros, testaram equipamentos e gravaram vídeos curtos para redes sociais. Cada etapa do processo fortaleceu a autoestima e a capacidade crítica dos jovens, mostrando que comunicar-se é também assumir protagonismo.

Este projeto é apoiado pelo programa IKI Small Grants, que fortalece soluções locais para uma ação eficaz em clima e biodiversidade. O IKI Small Grants faz parte da Iniciativa Internacional para o Clima (IKI) da Alemanha. É financiado pelo Governo Federal Alemão, executado pela Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH e pelo Instituto Terroá, tem parceria da Secretaria do Estado da Educação do Amapá. O projeto propõe fortalecer instituições educacionais no estado do Amapá (duas Escolas Família – comunitárias – e três escolas da rede estadual), capacitando jovens, professores e comunidades escolares para enfrentarem os desafios das mudanças climáticas, promoverem a conservação florestal e manterem a biodiversidade da região.

Autora: Gabrielly Marques dos Santos, Assistente de Projetos do Instituto Terroá Macapá/AP